terça-feira, 8 de maio de 2012

de mim

Sai do autocarro e percorre o caminho até casa vagueando por pensamentos vazios, dá boa tarde ao porteiro sorridente pelo meio da chávena de chá fumegante, entra no elevador e doze segundos depois vira à esquerda para o tapete do gatinho, mete as chaves na fechadura, dá duas voltas e meia e entra em casa. Não encontra nada além do silêncio, das facturas da luz para pagar sobre a mesa da entrada e da tigela do pequeno almoço de alguém que saiu demasiado apressado. Vira à esquerda em direcção ao quarto azul, pousa a bolsa no chão, troca de roupa e vai preparar alguma coisa para comer enquanto o computador inicia sessão. Tudo isto no mais absoluto silêncio. Come ao som de uma das muitas séries que guarda, lava a loiça e volta para o quarto do qual sai apenas na manhã seguinte, a não ser que haja vontade de chá. 
Partilha a casa com duas pessoas, mas são mais as vezes em que vive sozinha, ou que pelo menos sente que vive sozinha. Não há agitação, não existem conversas de ocasião e cada um tem as suas coisas, à sua maneira. Gosta assim.
O fim de semana soa estranho, há demasiadas vozes, demasiada gente sentada à mesa, há portas abertas, há conversas sem propósito e há, no entanto, a ânsia por voltar, depois do silêncio, para toda esta agitação de lar. 
Gosta de chegar a casa e ter alguém que lhe pergunte como foi o dia, que lhe afague o cabelo e lhe beije a testa, alguém que se sente ao seu lado no sofá e a abrace sem dizer uma palavra, gosta do equilíbrio e isto é tudo o que quer que tenhas, pelo menos enquanto estiveres com ela - um lar de todos os dias.


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