terça-feira, 29 de novembro de 2011

vitrine

Sentada a olhar o mundo algo me lembra de casa, conheço aquele perfume, mas não sei de onde, não sei de quem. 

Cada cheiro conta uma história e esta, mesmo depois de acabada, guarda memórias que voltam, nem sempre desejadas... O senhor de barba, cigarro na boca e jornal debaixo do braço volta a passar, volto a sentir o cheiro daquele perfume e aos poucos vou lembrando. Passo a saber a quem costumava pertencer, ou talvez ainda pertença, não sei bem. Surge tudo tal como num passado revisitado, momentos, palavras, toques, sorrisos - é o cheiro daquele que costumava ser o meu lugar preferido. 
Todos os perfumes contam uma história, lembram alguém e o problema é não serem exclusivos. Aquele senhor de barba estava a usar o perfume que tu usavas, ou talvez ainda uses, e isso lembrou-me de ti - de como me costumavas abraçar, de como te baixavas, só um bocadinho, para me beijar a testa, de como dizias que ias estar sempre lá, da felicidade que costumavas ter - aquele senhor de barba fez-me sorrir ao lembrar de ti.
Mudou muito, senão tudo, mas ainda lembro o teu perfume e ainda sorrio de cada vez que penso em ti. 
Interpreto o meu papel e tu o teu, como sempre, bem. Talvez nem tudo esteja diferente.


liberta, mais uma vez.

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