Sempre soube fingir, sempre tive necessidade de o fazer. Às vezes um sorriso fingido é o suficiente para que tudo fique bem, para que se esqueçam as preocupações e fingir passa a ser hábito. Não me lembro quando comecei a fingir, mas sei que foi há muito tempo...
A verdade é que até o mais belo acto tem um fim. Houve coisas que mudaram, pessoas que caíram, lugares que se perderam e, de repente, todo o equilíbrio até aqui criado desmoronou, numa fracção de segundos. Agora fingir deixa de ser suficiente. Agora o medo tomou lugar.
Fiquei a colar os pedaços daquilo que me deixaram, agora não quero deixar ninguém entrar, agora quero afastar os que já entraram. Dei mais do que aquilo que alguma vez deveria ter dado e isso deixou marcas, demasiado dolorosas talvez.
Apesar de todo o fingimento há uma lágrima que teima em cair, um sinal da verdade, daquilo que tento esconder de alguma forma.
Dizer que vou parar de fingir é simples, mas não seria verdadeiro. Neste momento, é a melhor arma que tenho, saber fingir.
Não quero que voltes, quero apenas que tragas quem fui!

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